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Empresa de saúde de verdade é sobre INFORMAÇÃO, não sobre INFRAESTRUTURA

empresa de saude

 

A empresa de saúde inteligente se apoia nos 3 Modelos que expliquei nos posts anteriores e usa “analytics” para ajudar o usuário a navegar – obter a assistência certa para seu caso. Ela gera valor fazendo o que é necessário para que o cliente não precise “subir a rampa” da figura- ganha dinheiro, mantendo-o saudável. Dá toda ênfase à atenção na base da rampa (APS- atenção primária à saúde), mas, se o doente precisa, disponibiliza para ele a atenção de qual necessita até o topo da rampa.

Analytics é a tecnologia para isso. Ela já existe. Tudo gira em torno da captura de dados de cada usuário, usuário a usuário via IoT, Wearables, registros existentes+ algoritmos/matemática/estatística.

O sistema de saúde não melhorará com mais dinheiro, nem médicos, nem hospitais.. [não estou dizendo que o sistema não precisa dessas coisas, mas sim que mais dessas coisas não resolvem].

Não existem arquiteturas de serviço para que boas entregas possam ser feitas em saúde. Bons médicos não conseguem ser bons médicos em organizações ruins.

Precisamos de inovação nos modelos de prestação de serviço, não de inovação em coisas físicas (instalações, médicos, aparelhos) . Novos processos em organizações velhas não resolvem. Pessoas competentes também não. Tecnologias na crista da onda? Esqueça.

É inacreditável que o hospital geral-essa entidade ineficiente, que não muda desde o século XIX- seja ainda o paradigma supremo da prestação de serviços em saúde (estimo que dos cerca de 4000 hospitais privados do Brasil, menos de 10%-se tanto- conhecem seus custos).

Não existem modelos de “PESSOAS+PROCESSOS DE TRABALHO+TECNOLOGIAS” desenhados para resolver problemas de usuários. O sistema atual não gera valor porque não é operado em função do que o usuário necessita.

Um sistema de saúde decente tem que ter estruturas para dar conta de demandas de usuários integrando esses 3 modelos (AQUI, AQUI e AQUI).

modelos-

 

Hoje, a dinâmica dos modelos existentes é definida pela ignorância. O ator principal- o usuário- é mantido no escuro, perdido num labirinto de relações que não entende, e sem a menor noção do valor gerado para ele.

Ignorância gera custos. Inteligência muda o cenário. Inteligência é o que trata cada paciente de acordo com suas necessidades individuais. Paciente a paciente.

Inteligência não é “médico ou hospital” , é algoritmo/estatística/matemática. Coisas baratas; ignorância é que é caro.

Tudo começará com a captura de dados médicos/demográficos/assistenciais de cada usuário, e o traçado de caminhos dentro do sistema para cada pessoa.

jornada do usuário dentro do sistema será guiada. A competição por seus dados dará poder a ele, pois os dados são dele e você terá de oferecer-lhe um excelente valor para cuidar de sua saúde.

As empresas de saúde serão forçadas a aprender gestão a partir da necessidades do usuário. Elas terão de gerenciar os três modelos diferentes de prestação de serviços, porque esses são os que representam as demanda existentes em qualquer população.

Veja figura abaixo. Gestão em saúde é isso. Não existe um único player no mercado hoje que faça esse tipo de gestão integrada de modelos distintos. O máximo que fazem é te direcionar para um hospital que em geral é ineficiente porque tenta ser tudo para todos, e embola os Modelos 1 e 2 na mesma estrutura . Hospitais ignoram o Modelo 3, ou melhor, só se preocupam com crônicos quando eles descompensam e precisam internar, nada fazem para que eles não cheguem a precisar disso (claro que não fazem, não é seu “business”. Se o fizessem, perderiam dinheiro. Seu business é internar).

Depois, todos estranham quando os custos disparam e reagem pedindo “mais verbas para a saúde”.

custo-paciente

A competição em saúde se dará entre arquiteturas de prestação de serviço que terão de controlar os três modelos mostrados na figura acima. Atenção: controlar não significa ser dono, significa tornar disponível o serviço.

 

Havendo competição verdadeira, os preços cairão.

O marketing de uma “arquitetura” dessas será assim: a partir do que saberei de você, vou direcioná-lo para a assistência que sua condição de saúde pede. Você pagará uma fração do que paga hoje por seu plano, porque a informação sobre você me permitirá oferecer-lhe exatamente o que você necessita, nem mais nem menos. Os prestadores, na minha arquitetura, trabalharão para mantê-lo saudável porque ganharão mais se o fizerem.

Quando surgirem essas arquiteturas de saúde- orquestradoras digitais- invista nelas. Esqueça operadoras (verticalizadas ou não), hospitais (ostentação ou não), prestadores (celebridades ou não). Rompida a barreira da regulação, gente de fora do sistema responderá à pergunta de 1 bilhão de dólares: “como tornar pagável assistência à saúde de boa qualidade para todos?”. Empreendedores é que responderão a esta pergunta, não os “estabelecidos” atualmente.

Quando a informação furar o cipoal de interesses existente hoje (incluindo regulação arcaica), novas empresas criarão valor para cada usuário a partir de seus registros de saúde controlando a relação com eles um a um. O valor estará aí. O dinheiro grosso virá daí. Tecnologia para isso já está amplamente disponível. Marketing fará o resto. Um banco digital por ex. capta novos clientes por 8-10$ cada. Um off line gasta 10X mais. Imagine em saúde. (Não se choque: a dinâmica em curso no setor bancário é a mesma. Afrouxe a regulação que acontece). Clientes serão atraídos por uma oferta que “não terão como recusar” (“an offer you can´t refuse) como diria Don Corleone . Só temos de deixar o caminho livre.

Operadoras de saúde tradicionais desaparecerão. As verticalizadas (donas de seus propários hospitais, laboratórios e com médicos q são seus assalariados) vão permanecer, mas não serão dominantes. A terceira via – a dos orquestradores digitais- é q dominará. Veja só: As grandes operadoras e seguradoras já entenderam que não têm futuro. A dúvida é se conseguirão construir novos modelos -que já estão no seu radar e com os quais já estão experimentando- mas que quase certamente terão margens financeiras mais baixas do que elas gostam (quer dizer, gostavam. Já estão todas no osso ou no vermelho). Valerá a pena tentar porque não têm opção. Boa sorte.

As verticalizadas-donas de seus hospitais, laboratórios e com médicos assalariados- permanecerão. São as mais lucrativas hoje, mas não são o futuro. Como eu sei? É que dependem de infraestrutura física (comprar ou construir) o que consumirá uma enormidade de capital que não dará retorno a partir de certo ponto. Uma regra da ciência da complexidade aplicada à economia diz q dominará quem conseguir realizar demandas de usuários com a maior relação “informação/infraestrutura” possível; ou seja: quem se apoiar muito em informação e pouco em ativos físicos.

 

Verticalizadas dão dinheiro hoje. São boa (ótima) opção para investidores , mas investidor não é empreendedor, e serão os empreendedores que criarão as empresas que vão dominar a paisagem: orquestradoras digitais com pouquíssimos ativos físicos e centradas na informação usuário a usuário.

 

Essas novas empresas ganharão atuando para que o usuário permaneça saudável, não permitindo que ele suba a rampa mostrada na figura que ilustra este post.

 

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