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O diagrama que define a informação

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No artigo que escreveu em 1948, Shannon sintetiza tudo que temos visto, no diagrama que reproduzo acima (exatamente como ele desenhou).

Qualquer sistema de comunicação deve conter esses elementos:

  • A fonte da informação é qualquer coisa – pessoa/máquina/algoritmo etc.. que seleciona a mensagem que se quer enviar; ela pode ser simplesmente uma sequência de caracteres (como no telégrafo),ou pode ser expressa de muitas maneiras mais sofisticadas (até como funções matemáticas).
  • O transmissor opera sobre a mensagem-codifica a mensagem – para produzir um sinal. Um telefone converte a pressão sonora em corrente elétrica. Um telégrafo codifica caracteres em pontos, traços e espaços.
  • O canal é o meio utilizado para transmitir o sinal (um fio de cobre,uma fibra ótica, o ar atmosférico…).
  • O receptor inverte o que o transmissor fez. Decodifica a mensagem, ou a reconstrói a partir do sinal enviado.
  • O destinatário é a pessoa ou a coisa que recebe o sinal na outra extremidade.

No caso da fala, por exemplo, os elementos acima são o cérebro do orador, suas cordas vocais, o ar, o ouvido do destinatário e o cérebro do destinatário.

Repare caixinha rotulada de “fonte de ruído”. Isso abrange tudo o que corrompe o sinal de forma previsível ou imprevisível: adições indesejáveis, erros, distúrbios aleatórios, estática atmosférica, interferência, distorção”.A caixinha “fonte de ruído” no diagrama é a representação da entropia.

Este diagrama é a definição de informação da qual nós precisamos para fazer acontecerem coisas interessantes no mundo. O diagrama em si é que é a definição, não há uma definição verbal. Só o que existe é um esquema operacional – uma planta de engenharia, para guia-lo na construção.

Tudo o que importa para nós está na “planta de engenharia” acima porque ela define o que fazer para obter resultados práticos. Selecione uma mensagem, codifique-a, transmita por um canal adequado cuidando para minimizar o ruído e escolhendo a linguagem e o canal certos, decodifique a mensagem para que o receptor possa receber o que foi selecionado.

O diagrama de Shannon ilustra uma sequência de passos que podemos facilmente transformar num algoritmo: basta introduzirmos um loop de volta do ponto que recebe a mensagem para o ponto onde a mensagem inicial foi selecionada, e recomeçar. Do destinatário de volta para o emissor da mensagem, daí de volta etc…

Parece trivial, pois qualquer diálogo acontece assim, mas esqueça conversações entre humanos e pense numa máquina ou dispositivo de algum tipo, capaz de selecionar sinais cada vez melhores à medida que dialoga com sinais emitidos por humanos ou não. Aqui está o centro da ideia que permite a construção de inteligências artificiais.

Foi fazendo algo assim que o Google meio que “tomou conta da internet” (se não literalmente, pelo menos conceitualmente) e tirou o campo da inteligência artificial da letargia em que se encontrava há décadas. O Google é o grande experimento da ciência da informação a que dedicaremos mais espaço adiante.

Na verdade (pense nisso), aprendemos qualquer coisa por meio de um algoritmo que funciona assim: realimentamos continuamente o processo com o resultado de cada etapa anterior e assim vamos selecionando “mensagens” cada vez “melhores”. Do ponto A para o ponto B, de volta a A, de volta a B etc.. Aprendemos a andar assim, aprendemos a falar uma língua assim, aprendemos a dirigir assim, aprendemos qualquer coisa assim. Automatizamos a competência em alguma coisa a partir de vários loops de feedback nos quais alimentamos informação de volta para nós mesmos via nossos cérebros, até chegarmos a uma performance satisfatória.

O problema desse tipo humano de processo de aprendizado é que ele é lento- limitado pela capacidade de processamento do cérebro. Mas imagine que você substitua o cérebro por uma AI – uma supermente. Para que aprender um novo idioma? Você fala na sua língua e a tradução para o idioma de seu interlocutor é feita instantaneamente por um algoritmo em seu smartphone que também reconstrói a resposta que lhe é dada para seu idioma. Para que aprender a dirigir? Por que tenho de cair e levantar tantas vezes para aprender a andar? (admito que aqui possa haver vantagens em deixar as coisas como estão, mas a possibilidade existe).
(continua)

 

 

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